Colchane – Fronteira com a Bolívia. Casa do senhor Efraim Amaro. Quase sempre que povos originários trabalham é em grupo. Se bem compreendi aqui elas estão preparando as lãs para utilizarem no tear. Essa foi a minha última cidade do Chile, a cultura é Aymara.
Parque nacional Pan de Azúcar
Acampando no deserto. De noite, nesse lugar, havia uma raposa que parecia um cachorrinho, ela esperava que eu me afastasse para ver se no lugar em que eu tinha sentado havia um pouco de comida para ela.
Eu não nego que tinha um pouco de medo de acampar no deserto, mas essa visão compensava
Região de Antofagasta. Vai um pedacinho de melancia em pleno deserto do Atacama
E o carrinho se exibindo no deserto!
Ops, perdi meu tênis em pleno deserto. Estas divertidas pedras pintadas estão em uma estrada secundária (B710) de quem parte de Taltal em direção à Antofagasta.
Entre Los Andes e San Felipe. Região bastante árida. Eles não são burros pra ficarem queimando no sol!!
O Chile foi o país em que mais fui convidado para fazer palestras nas escolas. Escola do povado de Huacho, próximo a Combarbalá.
Freirina, um encanto de cidade. Pequenina e acolhedora. Fui muito bem recebido pela prefeitura, fiz várias palestras na escola de ensino médio da cidade e fui hospedado em uma casa da prefeitura para acolher artistas e esportistas que chegam em Freirina para participarem de eventos.
Eu estava com febre. Dez quilômetros de caminhada e já dava sinais de cansaço. Foi então que encontrei esse acampamento. Viram minhas roupas e disseram que eu não estava preparado para enfrentar as noites frias do deserto. Gannhei uma jaqueta que levo ainda comigo.
Convento dos Freis Franciscanos de Iquique
Picaranos, doce a base de farinha, calda e abóbora. Preparado por Elena de Iquique.
Próximo de El Tártaro
Caminhei por um dia inteiro e vi apenas duas casinhas na estrada. Essa é a casa da Jovita e do Enrique. São criadores de cabras. A região é bastante agreste, mas sempre há espaço para capricho.
Forno de barro da Casa da Jovita e do Enrique
As casinhas de Barro do Chile. No pátio de Jovita e Enrique
Essa é uma capela da família de Jovita. Eles são criadores de cabras, vivem em lugar quase que deserto. As cabras morriam com frequência, Jovita decide fazer uma promessa a São Francisco. Todos os anos cantariam por uma noite versos ao Divino e ao santo. A Festa já superou vinte edições e conta com músicos de vários povoados. Mais de 200 pessoas participam desse momento. Nada é cobrado.
Jovita e Enrique. La Mostaza. Era final de tarde. Vi algumas casinhas, algumas placas para que estranhos não se aproximassem. No terreno há uma igreja. A primeira coisa que penso é que se trata de uma comunidade evangélica. Me aproximo. Enrique está consertando o lugar onde guarda pasto para os animais. Me apresento e depois de um pouquinho de conversa me ofereço para ajudá-lo. Enrique irá fazer uma cirurgia no quadril, nem pode subir em escadas, mas é preciso fazer o trabalho. Marcelo, um dos filhos, é uma pessoa com deficiência e depende totalmente dos pais. Ronald, o outro filho, é casado e mora em outra localidade. São pessoas humildes, criadores de cabras. É final de tarde e peço para colocar a barraca no pátio. Uns minutos mais de conversa e já estou dentro da casa da família comendo queijo de cabra, tomando chá, comendo ovo e ouvindo as histórias da família. Jovita é, sem dúvida, a leiga que conheço que mais sabe sobre a vida de São Francisco. Ela faz versos rimados e canta com o marido em uma festa que fazem ao santo todo o ano em sua casa. No dia seguinte, quando deixei a casa deles levei comida para o caminho e muito carinho. Na despedida cantaram para mim: ” Si vas para Chile… Te saldrán al encuentro, viajero Y verás cómo quieren en Chile Al amigo cuando es forastero”
Mochileiros argentinos. Reparti com eles a comida que tinha, inclusive um enorme mandolate. Ficaram super contentes e eu também! Amo encontrar outros viajantes.
Monumento que recorda a chacina de mineiros que estavam em greve protestando pelas míseras condições de trabalho nas minas de salitre em 1907 na região de Iquique. Aproximadamente 3000 mil pessoas foram mortas, nos dados do governo figuram 126 mortos. Que a luta do povo não seja esquecida!
Esse super casal Juan Paplo e Rocio me acolheu em sua casa por alguns dias para estranhamento de seus familiares – La Serena – Amam viagens. Amam partilhar com viajantes a cultura chilena. Fui com eles para a praia tomar chá.
Trabalho de prevenção ao HIV em escola de La Serena
Eu, geralmente, não tiro fotos com policiais, mas aqui tive um motivo para isso. Haviam se comunicado com o prefeito de Las Higueiras. Ele me disse que quando eu estivesse chegando era para telefonar para ele. Algumas horas depois tentei ligar para o prefeito e nada, simplesmente não respondia. Havia uma hospedaria da cidade, mas a dona ao me ver chegando com o carrinho se assustou e disse que não havia lugar. Já era tarde. Vou até o posto falar com os policiais que no Chile são chamados de carabineiros. Primeiro disseram o que dizem todos: alí não podem me receber por questões de segurança. Sugerem que eu me arme a barraca no centro da praça. Argumento que me parece perigoso em vista dos equipamentos que levo. Sussuram algo e decidem me levar para o alojamento que está reservado para os policiais denscansar. Me servem o jantar e ali passei duas noites.
Nessa região há o encontro entre a costa do pacífico e o deserto
Região litorânea entre Los Toyos e Carrizal Bajo. Era uma casa perto da estrada em que passava. Me chamaram para tomar um café. Toda a casa era decorada com frases desse tipo.
Retas que parecem não ter fim.
Esse é o Geraldo, de Majada La Cantera. É mineiro. Lhe pergunto qual é a melhor coisa na vida de um mineiro e não hesita ao responder – encontrar uma pepita de ouro. – E qual é a pior: – Não encontrar a pepita. E nem preciso dizer que isso é toda a vida de um mineiro. Devo dizer ainda que fui preconceituoso com Geraldo pois custei a acreditar que seu cantor preferido era Bob Marley. Passei a noite em sua casa. O local era de difícil acesso, sem janelas, ou melhor, apenas aberturas. Havia uma cocheira encostada na casa. Eu teria que acampar, era um lugar com poucas casas, ainda assim não me parecia muito seguro. Para criar aproximação pergunto à uma família se há perigo em colocar a barraca naquele local. Alguém dessa família me trata de maneira rude e me pede para deixar o local. Seu Geraldo está ali. E depois de alguns instantes me diz que posso ir dormir em sua casa. Pela manhã seu sobrinho traz de longe um balde de água para que eu possa tomar banho e me prepara um tradicional pão com abacate e ovo para o café da manhã.
Próximo a Majada La Cantera
Monumento ao Alicanto – O Alicanto é um pássaro mitológico da região do Atacama. Grandes asas, bico metálico, asas com cores metálicas que brilham a noite. Seus olhos emitem luzes que podem hipnotizar as pessoas. Dizem que os Alicantos por viverem em cavernas com minerais, se alimentam de ouro e prata. Encontrar um alicanto é o sonho de muitos mineiros, na esperança de que essa criatura irá lhe mostrar o caminho de uma mina com inesgotável quantidade de ouro e prata.
Rumo a Matancilla – próximo a Illapel
No caminho para Matancilla – região muito agreste. Uma curiosidade deste dia: nesse local as estradas eram quase desertas, fui por um caminho errado e claro que tinha que ser montanhoso, se não for assim é muito fácil! –
Quase não passavam carros, eu tinha a impressão que a estrada havia sido feita para mim passar. Estrada que leva a Llahuin – povoado que quase não está no mapa
Matancilla
As montanhas que levam ao povoado de Chincolco
Apenas no fim da tarde encontrei dois jovens que passaram por mim de moto – Estrada que leva a Lhahuin
Estrada que leva a Lhahuin – povoado quase deserto onde antigamente passava o trem
Homenagem as mulheres torturadas e desaparecidas durante a ditatura chilena. Foto tirada de um quadro no dia primeiro de maio no sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras em Ovalle
Ana-Maria e sua mãe em Ovalle. Recebido com churrasco e vinho chileno. Ana-Maria viveu na Nova Zelândia e é apaixonada por viagens. Fui o primeiro viajante a hospedar-se em sua casa.
As aves de Paposo
Parque Nacional Pan de Azucar
Parque Nacional Pan de Azucar
Pre-cordilheria chilena. Dias de muito frio. Eu havia encontrado no caminho un ciclista alemão de uns 60 anos que quase não falava inglês. Pude entender que mais dois dias caminhando e eu encontraria uma casa abandonada para proteger-me do frio. Mencionou inclusive que havia uma cama no local. Bem, não era uma cama, era um colchão, mas serviu.
Aqui já começava a mudar a paisagem. Eu deixava o deserto para trás e começava e entrar na Cordilheira.
Pré-cordilheira Chilena – Saindo de Huara indo em a direção a Chusmiza – Fronteira do Chile com a Bolívia
Rodovia R15 que leva a Colchane, fronteira com a Bolívia- Foram 3 noites de barraca nessa rodovia
Curva, subidas, altitudes…
A placa está avisando que tem Lhama, Alpaca ou Vicunha na estrada?
Receita para enfrentar a altitude: mascar folhas de coca, tomar água com limão e se acostumar com uma pressão na cabeça
Ah o Atacama!!!
Acho que tenho poder de mimetismo como o camaleão, vejam se meu rosto não está da mesma cor da areia do deserto?
Puerto Viejo – É um balneario. Apenas algumas poucas famílias vivem aí fora da temporada. Uma senhora, que não lembro o nome, me acolhe na casa de seu filho. Caminha com diviculdade. Trabalhou a vida toda para uma família que era dona de uma mineira. No natal tinha que trabalhar também, mas ficava feliz porque podia levar os filhos e eles sempre ganhavam alguns presentinhos. Na velhice, os filhos dos patrões criados por ela lhe visitam, percebem que o valor da aposentadoria não é suficiente e lhe dão o necessário para montar um pequeno armazém. Ela acha que fizeram grandes coisas por ela, será?
Próximo a Puerto Viejo
Grafite andino da Escuela Santa Teresita de Los Andes – Esses grafites são ainda mais comuns na Bolívia e na serra peruana
Estou hospedado na casa de Sandra, merendeira da escola Santa Teresita de Los Andes, próximo a Punitaqui. Muito espontânea e despachada. Ao deixar sua casa me alcança algo de maneira rápida e discreta, como se estivesse me entregando algo ruim.
Eu ainda não estava habituado com a moeda chilena e pensei que era dois mil pesos, era vinte, dinheiro para pelo menos umas seis refeições.
E agora… Lhama, Alpaca ou Vicunha?
Capela atendida pelos freis franciscanos de Iquique na reserva Aymara de Quebe – Perguntei a um senhor se haveria um lugar que pudesse dormir pois estava muito frio para armar a barraca. Quando ele me disse que não havia nenhum lugar que pudesse me acolher sugeri a Igreja, ele refusou dizendo que os santos não iam gostar da minha presença. Eu tentei argumentar dizendo que era amigo deles, mas ele não cedia. Disse então que eu tinha uma carta de recomendação de um frei para ser acolhido na cidade vizinha. Ele conhecia o frei e o senhor que me acolheria no dia seguinte era seu primo. Não fiquei na igreja, mas na antiga sede da comunidade.
Água congelada – saindo de Quelon
Essa sim acho que é uma lhama. Às vezes podem ser agressivas e cuspirem quem está próximo. Essa era calminha e até posou para minha câmera.
Rumo a Colchane – a última cidade do Chile
Quillagua é literalmente um oasis no deserto. Ver árvores depois de tanta paisagem seca é uma alegria para os olhos.
Ruta 15 em direção a Chusmiza – foram três dias acampando pois não havia povoados nessa região.
A dureza e o calor do asfalto não as impedem de florir.
San Felipe – sul do Chile. É minha terceira noite no país. Tento de todas as maneiras encontrar uma família que me acolha naquela noite. Ao que tudo indica terei que gastar com hotel. Encontro um jovem trabalhando na pesado em uma obra na rodovia. Logo vejo que é haitiano. Fica feliz por saber que eu entendo seu idioma. No final do dia me liga dizendo para ir dormir em sua casa.
Em meu segundo dia no Chile encontro esse grupo de camioneiros gaúchos. Fazem uma vaquinha para me ajudar e me dão chá e bolacha.
Puerto viejo
Praça de Taltal
Eu sei que a foto está sem foco, mas é a unica que tenho desse amável casal que me acolheu em
Vallenar. Romi e Nacho estão montando uma kombi para poderem viajar pela América Latina mostrando as belezas do deserto do Atacama. Não há data para retorno. Bom caminho!!!
No caminho para Hierro Viejo
No Caminho para Chincolco
Delia, Chago e Richard de Antofagasta. Chago é taxista. Delia, muito comprometida com a comunidade. Passei bons dias com essa família. Churrasco delicioso!!!
A primeira das irmãs que que aparecem na foto é Mirian, irmã do frei Camilo. Encontrararm uma família para hospedar-me e me levaram a uma churrascaria gaúcha.
Banhados que contrastam com a “secura do deserto”. Próximo a Banhia Salada”
Abra tua mente e mude o mundo e eu diria mais: verás uma mudança enorme em ti mesmo. Grafite em uma praça na estrada que leva para Hierro Viejo
Alicague – No Chile mesmo as estradas não pavimentadas estão em bom estado de conservação e manutenção. Eu ousaria dizer que o país tem as melhores estradas da América do Sul.
Cerca feita de espinhos para que as cabras não invandam outros terrenos
Em meio ao deserto algumas árvores. Próximo ao cruce de Maria Helena.
Caminho de Caleta los burros para Caleta Totoral. O caminho é quase deserto, apenas algumas poucas casas de pescadores. Tudo muito simples. A antena talvez não funcione… seria a expressão do desejo de estar conectado com o mundo?
Bahia Salada
Erika de Domeyko. A pessoa que ia me receber no povoado não atendia aos meus telefonemas. Ao saber de minha história não teve dúvidas em me receber gratuitamente e em me oferecer almoço, janta e café da manhã.
Huasco é um povoado que está um pouquinho afastado da rodovia, quase escondido. Terra de mineiros…
Não lembro seu nome, é a de azul. Era um sábado, como adventista, esse seria um dia reservado às orações e atividades religiosas. Mas para fazer o bem todo dia é dia. Assim, viajou para encontrar um lugar para mim na casa de sua tia Rosa.
Essas são as subidinhas que tenho que enfrentar.
Acampando na caleta Centeno. Aquecendo uma panela de lentilha no meio do nada.
A boca da pedra
Chegada no Chile, 16 de fevereiro de 2019
Los Andes – Os famosos caracois chilenos
A família do Carlos de Huasco é viajante, estão preparando uma Kombi para poder pegar a estrada